segunda-feira, maio 16, 2005

A Vida I

Aqui aprendo que os animais são a vida na sua plenitude. O sentido da vida é revelado, e é como as águas de um regato. Na nascente, não passa de água vertendo para o chão. Depois, vai furando caminho por entre as pedras, seguindo a morfologia do solo que vai limitando o seu leito.
Aprendi isto a observar corujas, numa noite de insónia. A coruja põe-se no seu poleiro e espera que, sob a folhagem rasteira, surja o som abafado que ela sabe ser característico de um rato que se desloca. Imediatamente cai sobre ele, saciando a sua fome. Se o restolhar não surgir, a ave procura novo poleiro. É o seu leito a ser construído, momento a momento.