quinta-feira, outubro 14, 2010

De novo, a Lua

O Homem não foi feito para a escuridão. O Homem tem nos olhos uma janela para o que deseja, para o que encontra, para o que teme e receia. Ama com os olhos e odeia também. O Homem precisa de luz, que, densa e ordeira como um rebanho de ovelhas, lhe oferece o mundo que é, o que foi, e sugerindo o que será. Na escuridão, o homem foge para o mundo dos sonhos, que é, ou assim o espera o Homem, luminoso. Senão, na escuridão, o Homem tem medo. O Homem chora.

Por isso veio a Lua. Todas as noites ilumina o breu, porém cada vez mais pequena, como que ameaçando a mais brutal das trevas. Chega aquela noite em que desaparece, e com ela o pânico aos corações daqueles que só a Lua têm por companhia e candeeiro. Mas logo na noite seguinte, a Lua reaparece. Brincalhona ela é, espreitando por entre o Manto Negro. E vai reaparecendo, no seu sensual vagar. O alívio. A sua noite mensal de Luz e Amor com o Sol, é noite de temor e angústia para o Homem. A sua noite mais solitária, é a mais luminosa para esses primatas que vivem no medo do medo. Talvez por isso ela nos minta, talvez até de ressentimento. Mas é uma mentira repetida, pelo que é uma verdade prevista. O Homem sabe que a Lua sabe que ele a lê ao contrário.
Precisamos tanto dela.
Eu preciso.
Hoje foi Lua Nova.