A Vida I
Aqui aprendo que os animais são a vida na sua plenitude. O sentido da vida é revelado, e é como as águas de um regato. Na nascente, não passa de água vertendo para o chão. Depois, vai furando caminho por entre as pedras, seguindo a morfologia do solo que vai limitando o seu leito.
Aprendi isto a observar corujas, numa noite de insónia. A coruja põe-se no seu poleiro e espera que, sob a folhagem rasteira, surja o som abafado que ela sabe ser característico de um rato que se desloca. Imediatamente cai sobre ele, saciando a sua fome. Se o restolhar não surgir, a ave procura novo poleiro. É o seu leito a ser construído, momento a momento.


1 Comments:
Também nós somos a plenitude da vida através do que sentimos, e quando sentimos mais intensamente é quando sabemos que a vida vale realemnte a pena nem que este sentimento seja atingido durante um triste choro, vale sempre a pena, revelanos que estamos vivos...Por vezes temos que fazer como a coruja, se já arrancamos tudo o que poderiamos obter daquele poleiro mudamos, o que importa é não parar de acreditar e não nos acomodarmo ao poleiro e a sua paisagem envolvente!
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