Reencontro
Ao regressar do meu passeio pelo bosque, eis que vejo algo familiar a flutuar na agra. Trata-se do barco que trouxe aquele efémero amor de que vos falei anteriormente.
Dirijo-me para a orla da falésia e, uma vez lá chegado, coso o meu corpo ao chão e observo, escondido, a mulher que toma banhos de sol deitada na areia, lá em baixo. Quando a vi pela última vez, o seu corpo era lácteo e baço. Agora está dourada e brilhante. Sobre os auspícios do Sol ela se transformou, e a imagem que me surge é a de um fruto a amadurecer até atingir aquela tonalidade que parece gritar: Colhe-me! Saboreia-me!
Mais uma vez, aquela presença abate-se sobre mim com a força de uma tempestade. Mais uma vez apela a algo que não é compatível com a existência que escolhi.
Rodo sobre mim próprio para ficar com as costas no chão. Preciso de um momento para reflectir sobre este fluxo que me percorre os nervos e as veias.
Sou forçado a retractar-me sobre o que pensei quando a vi pela primeira vez. Não, o Amor não é isto. Isto é apenas uma urgência! Urgência de lhe saltar em cima! O sexo. A parte mais animalesca do comportamento humano. O último elo que nos cinge há mãe Natureza. E é este último grau de pureza que me coloca novamente na esfera do Homem. Sou um deles ainda! Não a criatura sem sexo que colei á minha definição de eremita. A visão desta mulher abala convicções…
Volto a olhar para baixo. Ela observa-me. Acena-me. Eu sorrio. E agora?
“O depois vem sempre depois.”


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