E a Lua?
Por estes dias o Sol mostra-se durante mais tempo. O ar está mais quente e explode vida um pouco por todo o lado. Nesta faixa de prado entre a falésia sobre o mar e a floresta flores surgem abundante e aleatoriamente, como se um Colosso pintor, descuidado, tivesse sacudido o seu pincel encharcado em múltiplas cores sobre este lençol verde. Da floresta vem o som histérico de pássaros que guerreiam, com a voz, pelo direito de semear eternidade.
Estou na orla da floresta. Repouso sentado contra o tronco de um ulmeiro, aproveitando a sua sombra. Na minha frente, a linha que se forma pelos tons azuis do mar e do céu.
Adormeço.
++zzzz++
Retomo a consciência e sobre mim vejo uma gigante bola branca. A Lua. Ela abate-se sobre o meu espírito. Quem é? Será um ente macabro que escolheu a escuridão para deambular, quando a luz é apenas pontual no céu? Esconder-se-á daquele que trás a Luz?
Persegui estas questões, que no fundo são apenas uma, enquanto o sol se cobriu e descobriu trinta vezes. Depois percebi. A Lua procura o Sol!
Sensualmente, numa languidez preguiçosa, noite após noite, vai-se sumindo sob o manto negro que aconchega as noites do Pastor de Luz.Submersos pela noite, por aquela noite, entregam-se aos prazeres celestes. Por fim, com a mesma volúpia, e talvez presa pelas últimas carícias solares, a Lua retira-se, até nova saudade. Então regressa. Claramente definha sem a luz do Sol.


1 Comments:
A Lua procura o Sol, e o Sol a Lua.
Mas são orgulhosos demais para reconhecrem que precisam um do outro. É por isso que quando um está quase chegar o outro se vai embora.
Para mim a Lua não definha sem o Sol (nem vice-versa) é a constante tentativa de reencontro que os mantem unidos na separação.
Enviar um comentário
<< Home